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Painel discute estresse, ansiedade, depressão e esgotamento profissional



Ainda na manhã do segundo dia do Seminário Internacional Trabalho Seguro, que discute os transtornos mentais relacionados ao trabalho, um painel com três expositores, coordenado pelo ministro Lelio Bentes, do Tribunal Superior do Trabalho (TST), debateu temas como depressão, estresse e ansiedade. A psicóloga Ana Maria Rossi, diretora da Clínica de Stress e Biofeedback, levantou discussão sobre a síndrome de burnout (ou síndrome de esgotamento profissional), um tipo de estresse avançado com sintomas similares aos da depressão, mas causado exclusivamente por questões relacionadas ao trabalho. Para empresas e instituições, os prejuízos estão nos custos com licenças e processos trabalhistas, além de perda da qualidade do desempenho de funções.

Os trabalhadores que desenvolvem burnout se sentem sobrecarregados, desmotivados, insatisfeitos, apresentam baixo desempenho e problemas de saúde. O alto nível de estresse pode também atingir a vida pessoal do empregado. Segundo Ana Maria Rossi, quem tem a síndrome tende a não expor o problema, principalmente por medo da perda do emprego, o que dificulta o diagnóstico.

Foram apresentados estudos que demonstram que o melhor método para empresas e instituições lidar com a Síndrome de Burnout é atuar na prevenção, com melhorias no ambiente ocupacional envolvendo reconhecimento e gratificação de funcionários, adaptação de função e carga de trabalho em casos de exaustão e mudanças nos fatores que geram estresse para um grande número de empregados no cotidiano profissional. Já para o tratamento, foram destacados os métodos atualmente utilizados, como técnicas de relaxamento, aconselhamento e terapia cognitiva comportamental.

O médico João Silvestre da Silva Junior, perito do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), explicou que o estresse é uma defesa do corpo em resposta a situações em que as pessoas se sentem ameaçadas ou desafiadas negativamente, e que o desgaste gerado por essas situações causam, de maneira geral, problemas de sono, má alimentação, tendência a vícios e mudanças de hábitos que se tornam prejudiciais à saúde.

Com relação ao estresse desenvolvido depois de um momento traumático, como um acidente de trabalho com danos físicos ou uma situação de ameaça psicológica, o impacto na vida das pessoas pode durar de dias a anos, gerando, entre outros sintomas, medo de ir ao trabalho e dificuldade para realizar tarefas cotidianas.

Último painelista, o psiquiatra Pedro Shiozawa falou sobre depressão e ansiedade geradas também por fatores relacionados ao trabalho. De acordo com o médico, esses transtornos são uma resposta do organismo diante da dificuldade inicial para lidar com situações adversas, assim como com os casos de estresse. Ele observou que, embora a prevenção seja um bom caminho, cada pessoa tem uma genética individual e passa por experiências de vida diversas, o que faz com que a resposta de cada um a problemas cotidianos seja diferente, havendo assim necessidade de análise individual e tratamento.

De acordo com o psiquiatra, pessoas que reincidem três vezes em quadros de transtornos mentais ou comportamentais têm 90% de chance de desenvolver o quadro por uma quarta vez, destacando assim a necessidade do tratamento. Isto porque, segundo ele, grande parte das pessoas se nega a ir ao médico e ser diagnosticada porque há a cultura de que esses transtornos são associados à incapacidade, e não à doença.

De acordo com dados do Anuário da Previdência Social de 2015, o número de auxílios-doença concedidos em razão deste tipo de moléstia tem crescido drasticamente: de 2006 para 2007, por exemplo, subiu de 615 para 7.695 e, no ano seguinte, passou para quase 13 mil. No total, de 2004 a 2013, houve um aumento de 1.964% para esta concessão.

Seminário
O Seminário Internacional sobre Transtornos Mentais vai apresentar ainda debates sobre os rumos da responsabilidade civil nas doenças ocupacionais, relação entre adoecimento e ambiente de trabalho e tutelas judiciais sobre saúde mental do trabalhador.

Confira programação.

(Jessica Castro/Foto: Fellipe Sampaio)

Confira o 1º painel do Seminário


 

Divisão de Comunicação do CSJT
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