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Subordinação tecnológica e direito à desconexão desafiam o Direito do Trabalho

O tema foi debatido pelo professor da Universidade de Coimbra (Portugal) João Leal Amado, em congresso que está sendo promovido pela Justiça do Trabalho.

Foto do professor João Leal Amado em púlpito falando para o público no plenário.


3/3/2025 - A subordinação tecnológica, o direito à desconexão profissional e seus impactos na garantia de direitos e na saúde mental do trabalhador foram um dos temas abordados pelo professor da Universidade de Coimbra (Portugal), João Leal Amado. A exposição abriu as atividades, nesta terça feira (3), no Congresso Internacional Diálogos Internacionais: Relações de Trabalho na Sociedade Contemporânea, promovido pela Justiça do Trabalho.

Segundo o professor, esses impactos são extremamente negativos, pois, antigamente, havia uma separação bem definida entre o tempo dedicado ao trabalho e à vida privada. “Com as novas condições de vida e trabalho que temos, essa fronteira vem sendo eliminada, sobretudo, através do celular e das redes sociais”, disse.

Confira mais fotos do evento no Flick da Enamat.

Subordinação que adoece

Para João Leal, esse cenário gera um paradoxo que contribui para o adoecimento, uma vez que a tecnologia e os serviços oferecidos que, supostamente, deveriam melhorar a qualidade de vida, cria novos problemas e uma subordinação que adoece. “Décadas atrás o trabalhador voltava para a sua casa e o empregador não interferia mais até à jornada seguinte de trabalho. Hoje sabemos que essa relação  mudou  e  que nem sempre temos a opção de se desconectar da atividade profissional”, afirmou.

Proteção de Direitos

Ao citar o trabalho em plataformas digitais, o professor ressaltou que essas transformações impõem um grande desafio ao Direito do Trabalho, tanto na Europa quanto no Brasil, que transita entre manter-se atrelado ao modelo de trabalho tradicional ou a tratar como um empreendedor que atua no ambiente digital.

“Uma minoria trabalha nas plataformas de forma autônoma. A maioria das pessoas que atuam nesses aplicativos exerce um trabalho dependente, em condições sujeitas à autoridade", explica. “Existe, portanto, uma relação de emprego e o Direito do Trabalho precisa continuar a proteger esses trabalhadores, mesmo que isso exija  uma tentativa de enquadramento da legislação para enfrentar esse novo  fenômeno”, concluiu.

Confira na íntegra da conferência:

(Andrea Magalhães/AJ)


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