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Debates sobre adoecimento mental e osteomuscular encerram curso em Brasília

20/08/2015 - As causas do adoecimento mental e das doenças nos membros superiores e da coluna vertebral no trabalho foram os assuntos que fecharam o último dia do Curso de Formação Continuada (CFC) - Estabelecimento do Nexo de Causalidade entre Doença e Trabalho, nesta quarta-feira (19), em Brasília.

Para falar sobre “O problema do adoecimento mental relacionado com o trabalho”, a psicóloga e professora da Universidade de Brasília (UnB) Ana Magnólia Mendes apresentou pesquisa realizada nos últimos 25 anos acerca do sofrimento humano no trabalho. “Buscamos entender como as diversas categorias de trabalhadores lidam com esse tipo de problema”, explicou.

Durante a explanação, Ana Magnólia deu ênfase à psicodinâmica do trabalho e aos dilemas que comumente os trabalhadores enfrentam em sua rotina, com as seguintes indagações, por exemplo: “me sobrecarrego ou apenas coopero?”, “denuncio ou silencio?”. Segundo a psicóloga, o sofrimento está relacionado a três dimensões interligadas: medo, angústia e insegurança, e, por isso, “as prescrições de trabalho devem ser orientadoras e não opressoras”.

Com o tema “O pensamento causal entre transtornos mentais e trabalho”, o psiquiatra e médico do trabalho Duílio Antero de Camargo chamou a atenção sobre a problemática envolvendo o assédio moral no ambiente de trabalho. “Transtornos depressivos e ansiosos são mais comuns do que podemos imaginar”, afirmou.  De acordo com o especialista, a incapacidade laboral dos transtornos mentais está entre as três principais causas de incapacidade no trabalho. “Devemos obedecer a um princípio básico no ambiente do trabalho: prevenir doenças ocupacionais, promover a saúde tanto em aspectos físicos como mentais e a qualidade de vida dos trabalhadores”, finalizou.

Ergonomia

As doenças osteomusculares relacionadas ao trabalho foram abordadas no painel do professor Hudson de Araújo Couto, especialista em medicina do Trabalho e coordenador da Pós-graduação em Medicina do Trabalho da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais. Autor de diversos livros na área de Saúde Ocupacional, Medicina do Trabalho e Ergonomia, Couto apresentou os quatro fatores que determinam o risco ergonômico nas atividades laborais, que são: a intensidade, a duração e a frequência da exigência, além da taxa de ocupação. Segundo o professor, a partir da observação desses fatores é possível classificar o trabalho em cinco categorias quanto ao grau de risco da atividade desempenhada: ATM (ação técnica normal); IPM (impossível, mas possível); DDF (desconforto, dificuldade ou fadiga); de risco; e de alto risco.

Couto também apresentou ferramentas e procedimentos que possibilitam identificar o risco das atividades laborais, como a análise macroscópica e microscópica, a utilização de checklists e a definição de critérios semiquantitativos. Ainda segundo o especialista, a eliminação dos riscos ergonômicos no trabalho pode ser alcançada com a adoção de medidas simples, sendo o Tempo de Recuperação de Fadiga (TRF) uma das mais básicas e importantes soluções. Isso porque, segundo o professor, as pausas para descanso ao longo da jornada de trabalho podem reduzir significativamente os quatro fatores de risco da atividade laboral mencionados.

Encerramento

Ao término da palestra, os gestores Nacionais do Programa Trabalho Seguro foram convidados a compor a mesa de encerramento. A coordenadora nacional do Programa Trabalho Seguro, juíza Morgana de Almeida Richa, do TRT da 9ª Região (PR), transmitiu os agradecimentos do presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e do Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT), ministro Barros Levenhagen, pela participação dos cursistas. E, ao encerrar os trabalhos, descreveu a satisfação com o curso de formação continuada: “Foram dias divertidos, de coleguismo, de companheirismo, de risadas e de uma sede de conhecimento absolutamente saciada, dentro de algo que nos proporcionou um engrandecimento intelectual e profissional”, concluiu.

O gestor nacional Sebastião Geraldo de Oliveira, Desembargador do Trabalho do TRT da 3ª Região (MG), enalteceu a parceria firmada entre a ANAMT e o Programa Trabalho Seguro para a realização do curso e destacou a qualidade dos debates. “Tivemos aqui professores de linhas diferentes, de opções críticas diferentes, e isso é importante para perceber que a sociedade é multifacetada. E nós enriquecemos com isso”, afirmou.

A juíza Ana Paula Sefrin Saladini, gestora nacional e titular do TRT da 9ª Região (PR), frisou a importância do diálogo entre a Justiça do Trabalho e a Medicina, e os resultados práticos que o curso terá nos Tribunais Regionais. “Acho que o diálogo entre o Direito e a Medina é um diálogo necessário, muito rico e que precisa prosseguir. Cada um de nós sai daqui com uma missão: de multiplicar todo esse nosso conhecimento em nossos Regionais”, disse a magistrada.

 

Ailim Braz e Natalia Oliveira

ASCOM/CSJT
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